quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Não existe classe social, apenas falta de senso do ridículo.

18+: Você leitor, não me responsabilizo pela sua interpretação quanto ao texto.

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Ontem, 10/11/5015, ajudei um amigo num evento em São Paulo, na Câmara Municipal de São Paulo. Boa estrutura, cozinha ampla para prepararmos nosso serviço, funcionários atenciosos (alguns até demais). Depois de dois dias de mise-en-place cansativo, tudo para ser um evento tranquilo.
Os comensais seriam pessoas de cargo político, doutores e professores, em geral, além de convidados diplomatas. Era esperado em torno de 300 pessoas.
Foram servidas entradas antes do nosso serviço. Alguns, já impacientes, cobravam pelo prato principal, mas nada que saísse de uma rotina. Funcionários de outros setores vinham e apreciavam a montagem e tiravam fotos. Alguns pediam por uma degustação e, se sobrasse, logicamente serviríamos.
Depois de mais de duas horas de espera pelo atraso no cronograma, e eu que gosto muito sqn de atrasos, foi nos permitido servir, então transportamos a comida pelo salão até as ilhas onde seria o buffet. Talvez pelo excesso de pessoas, ou por falta de espaço, ou porque não pedíamos "Licença" alto o suficiente (quase berrando), ou por serem um bando de tapados mortos de fome, as pessoas não nos deixava chegar nas mesas e, consequentemente, "atacavam" a barca de sushi (um metro e vinte de barca recheado de sushi) antes mesmo de chegarmos. E quando finalmente conseguimos colocar a comida na mesa, nos empurravam contra ela sem nos deixar sair.
Posso estar enganado, mas acredito muito na minha noção de tempo, mas não se passaram nem 3 minutos e tivemos que repor as duas ilhas. E o mesmo processo de empurra-empurra se repetiu, com o mesmo processo de pessoas querendo pegar a comida antes de outras e o mesmo processo de dificultarem nossa passagem de ida e volta da cozinha. E tudo isso se repetiu pela terceira vez.

Depois desse pequeno texto, onde quero chegar: como eu disse antes, os comensais foram pessoas de cargo político, doutores, professores, diplomatas e convidados, além do staff que organizou o evento. O que eu vi durante o serviço foi nada mais que um bando de animais presos numa jaula quando jogam um pedaço de carne no meio dela. A comparação é a competição de quem chegaria primeiro sem se importar com quem serve ou quem está esperando junto pra comer. Não houve distinção entre cargo político, doutor, professor, diplomata, staff. Era cada um por si. (Aliás, parabéns ao comitê organizador que largou mão do significado "organizador" e se juntou a trupe da desordem.)
Durante uma breve pausa entre a segunda e terceira leva, uma pessoa se aproximou de nós na cozinha. Se virou para nós e disse que não conseguiria comer por causa do tumulto e pela falta de tempo. Se despediu e foi embora. Outra pessoa agradeceu pela comida que não conseguiu comer por conta das outras pessoas. Cara...

Sei bem o que escrevo aqui, assim como também sei que foi um evento atípico. No meu ramo de trabalho é a primeira vez que vejo isso acontecer. Não era uma situação crítica, muito menos algo especial, mas esse evento me mostrou a verdadeira face de uma parte das pessoas que você vê na tevê, esbarra na rua ou dá "bom dia" quando sai para trabalhar. Se numa situação medíocre as pessoas agem dessa forma, imagine só quando realmente necessitarem de alguma coisa.

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