quarta-feira, 22 de maio de 2013

Chuva

O som da chuva abafou o tilintar da lâmina batendo contra o chão de cerâmica. A água da chuva diluia o sangue em véus delicados que explodiam a cada gota que caia. O frio da chuva diminuiu o calor causado pela adrenalina.
A chuva falou por você.

Minicrônica de um devaneio


Você fecha os olhos para fechar o coração, trancando-o por dentro. Cai em seu próprio mundo, um labirinto sem entrada, sem saída. As paredes são fumaça, fragmentos de lembranças que te cercam, espirais densas que gritam em silêncio e movem-se em Déjà vu.
Mãos, muitos pares de mãos o cercam querendo te alcançar, acenando um adeus intermitente, mas sempre as mesmas mãos já conhecidas pelo toque de uma vida passada.
Uma imagem diferente das memórias se abre, mais brilhantes que as lembranças opacas das paredes dançantes. Sua mão sobe lentamente, automática, tocando suavemente aquela janela. Sente a brisa vinda de algum lugar acariciando a ponta dos dedos, o frio lhe cobrir a pele e o arrepio se estender pelo braço erguido, eriçando a pele.
E sente o corpo sendo puxado para dentro da tela. O coração não quer abandonar o labirinto, mas a mente relaxa todos os músculos, se deixando levar. Os olhos se fecham novamente. O frio o abraça com brisas suaves. A noite o engole e a lua o observa de volta a realidade.

Tormento

O espírito que (vive) é atormentado
por ações não definidas em vida,
por uma promessa que não foi cumprida;
Palavras soltas ao ar como folhas secas ao vento.

Não há lugar para descansar
a mente
(que mente?) 
inquieta, perturbada;
Ondulações que movem a superfície calma
(mas nunca incessante)
onde todo momento vivido,
toda palavra dita
se dissolve formando distorções
(e as perturbações começam)
e a mente vira uma bagunça,
o espírito vira (e se revira)
querendo e não querendo se lembrar
de como era viver.