segunda-feira, 29 de julho de 2013

Crônica de um diário inacabado

"Em sua afobação de seu ato compulsivo (porém consciente), não percebeu de primeira alguns sinais de que seus planos não dariam certo em todo momento. Chegada a hora, um momento de decepção, mas teve que aproveitar como sempre o fez, com uma conversa curta e direta.
Ergueu a cabeça vendo que a noite havia chegado e viu as inúmeras estrelas que há muito não via. Parou o monólogo por um tempo, inspirando o ar frio da noite de inverno e observando a serenidade do ambiente junto daqueles que eternamente também observavam o céu infinito. O silêncio foi absoluto.
Voltou a cabeça para a pequena pedra retangular e seu número e esboçou uma despedida. As palavras não lhe saiam como normalmente. Engoliu as palavras e o silêncio e ergueu os olhos para as estrelas novamente.
Tirou força de dentro e fez uma breve despedida, dando um toque de punho fechado na pedra como uma forma de cumprimento. Se virou com as mãos nos bolsos da calça. (...)"

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A última dança

No nosso encontro
Vista seu vestido negro mais belo
E espere-me sob do arco

Acene
Enquanto me aproximo
Sorria
Quando lhe vejo
Abrace
Enquanto me aconchego

Pegue em minha mão
Lhe tocarei a cintura
E dancemos sua melodia
Aos seus passos
Para me tragar
Dentro do seu lar

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Trecho de vida 6

Aquela inquietação que se espalha como um formigamento dentro do seu peito e preenche toda sua mente enquanto ela desmorona como um castelo de cartas. Impaciência pelo que é desconhecidamente conhecido, não tem corpo mas tem várias formas e significados. Um penhasco sem fundo visível.

terça-feira, 2 de julho de 2013

A força

"Eu, definitivamente, não sou mais forte que você. Você teve a força para seguir um caminho que a maioria das pessoas tem medo até de pensar. Eu apenas sigo lentamente esse caminho, mas não corro por ela para ver seu fim. Não sei quão extensa ela é, e tampouco me importa. O final é um único ponto que converge de todas as rotas onde paz e medo se misturam para o nada."

Fotografias



Enquanto passa páginas de um velho álbum de fotografias, suas memórias lhe envolvem como braços gentis. Você guarda fotos de momentos que de alguma forma marcaram sua vida. Alguns desses momentos foram fotografados em sua mente e estão espalhados como polaróides sobre uma mesa. São momentos estáticos onde todos sorriem para a câmera mesmo que um minuto antes algo ruim tenha acontecido. Ou se algo de ruim acontecer assim que a câmera for baixada ela ainda terá o momento registrado. Momentos de conforto, de lembranças paradas num tempo onde o instante foi algo bom pra se recordar.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Chuva

O som da chuva abafou o tilintar da lâmina batendo contra o chão de cerâmica. A água da chuva diluia o sangue em véus delicados que explodiam a cada gota que caia. O frio da chuva diminuiu o calor causado pela adrenalina.
A chuva falou por você.

Minicrônica de um devaneio


Você fecha os olhos para fechar o coração, trancando-o por dentro. Cai em seu próprio mundo, um labirinto sem entrada, sem saída. As paredes são fumaça, fragmentos de lembranças que te cercam, espirais densas que gritam em silêncio e movem-se em Déjà vu.
Mãos, muitos pares de mãos o cercam querendo te alcançar, acenando um adeus intermitente, mas sempre as mesmas mãos já conhecidas pelo toque de uma vida passada.
Uma imagem diferente das memórias se abre, mais brilhantes que as lembranças opacas das paredes dançantes. Sua mão sobe lentamente, automática, tocando suavemente aquela janela. Sente a brisa vinda de algum lugar acariciando a ponta dos dedos, o frio lhe cobrir a pele e o arrepio se estender pelo braço erguido, eriçando a pele.
E sente o corpo sendo puxado para dentro da tela. O coração não quer abandonar o labirinto, mas a mente relaxa todos os músculos, se deixando levar. Os olhos se fecham novamente. O frio o abraça com brisas suaves. A noite o engole e a lua o observa de volta a realidade.

Tormento

O espírito que (vive) é atormentado
por ações não definidas em vida,
por uma promessa que não foi cumprida;
Palavras soltas ao ar como folhas secas ao vento.

Não há lugar para descansar
a mente
(que mente?) 
inquieta, perturbada;
Ondulações que movem a superfície calma
(mas nunca incessante)
onde todo momento vivido,
toda palavra dita
se dissolve formando distorções
(e as perturbações começam)
e a mente vira uma bagunça,
o espírito vira (e se revira)
querendo e não querendo se lembrar
de como era viver.